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A intensidade da taxa de utilização do calendário entre as 27 unidades federativas do país.

De acordo com a CBF, existem 874 clubes profissionais em atividade no Brasil. Em 2019, considerando as competições oficiais, 645 disputaram ao menos um torneio. Isso equivale a 73,7% dos filiados, com 229 times parados ao longo do ano. E entre os que entraram em campo, o número de jogos variou bastante.

Segundo o estudo produzido pela Pluri Consultoria, a média de utilização do calendário futebolístico ficou em apenas 30%, com os jogos concentrados no primeiro semestre, onde ocorrem os Estaduais. Apesar do Campeonato Brasileiro no restante do ano, com início das divisões inferiores em vários estados, a queda é bem acentuada. Se em março 308 times jogaram alguma partida, em outubro, sete meses depois, o número caiu para 190 – já coincidindo com o fim da 1ª fase da Série D, definindo o calendário de dezenas de clubes.

Sobre essa disparidade, do inchaço à ociosidade, vale lembrar do levantamento mais recente da confederação brasileira acerca dos jogadores profissionais. Apenas 11 mil tiveram contratos ativos no ano todo – dados de 2018. Deste total, 55% receberam no máximo R$ 1 mil por mês. Considerando vencimentos até R$ 5 mil, o dado sobe para 88%. É a dura realidade.

O método no cálculo da Pluri
Foram considerados 335 dias como calendário útil, já descontando o período de férias dos atletas. O cálculo considerou, então, o intervalo entre o primeiro e o último jogo disputado por cada equipe em 2019 – ou seja, sem contar, também, o período de pré-temporada. Em relação à última coluna do primeiro quadro abaixo, sobre a “média ponderada”, trata-se do cálculo sobre o número de jogos disputados. Segundo o relatório, Pernambuco e Bahia integram o G4 – detalhes a seguir.

O raio x dos clubes profissionais do país em 2019
645 times jogaram ao menos uma competição profissional
436 times (68% do total em campo) atuaram, no máximo, em 30% do calendário útil
44 times (7%) ultrapassaram a marca de 80% do calendário útil*
55 times (9%) tiveram menos de 1 mês de calendário!
233 times (36%) tiveram menos de 2 de meses de calendário
77 times (12%) tiveram ao menos 6 meses de calendário
* Grupo formado, em sua maioria, pelos participantes das Séries A e B do Brasileiro

Os meses com mais clubes profissionais em atividade em 2019 (de um total de 645)
1º) 327 times (51% do total) – Março
2º) 308 (48%) – Fevereiro
3º) 266 (41%) – Abril (reta final dos Estaduais)
4º) 259 (40%) – Janeiro
5º) 257 (40%) – Agosto
6º) 254 (39%) – Setembro
7º) 253 (39%) – Maio (início do Brasileirão)
8º) 238 (37%) – Junho
9º) 190 (29%) – Outubro
10º) 107 (18%) – Novembro (fim da Série D)
11º) 187 (29%) – Julho
12º) 34 (5%) – Dezembro (período de férias)

A seguir, o gráfico sobre a utilização geral do calendário.

Neste primeiro quadro da Pluri, destaco a última coluna sobre a taxa, com o percentual de 0% a 30%. Chama a atenção o fato de que 21 dos 26 cearenses ficaram neste patamar, o que justifica a 13ª colocação do estado – apesar de ser o único do NE a ter 2 times com 81% a 100% do calendário útil, Ceará e Fortaleza, naturalmente. Em Pernambuco, 8 dos 18 times tiveram entre 31% e 60% do calendário, um pouco mais reacional. Este dado foi turbinado pelos clubes intermediários que jogaram o Estadual no 1º semestre e a Série D no segundo – Central, América e Acadêmica Vitória. Na Bahia o hiato da dupla Ba-Vi para os demais é enorme, tanto que não há um clube sequer na faixa de 61% a 80%. Ou seja, calendário cheio para Bahia e Vitória e escasso para os demais.

A seguir, o gráfico sobre a utilização mês a mês do calendário.

Entre as federações nordestinas, Pernambuco aparece na melhor colocação na “distribuição” do calendário, mesmo tendo menos clubes que o Ceará (18 x 26). Em PE, que ficou com o 3º melhor percentual do país, o calendário divisional é separados por semestres, com a A1 no primeiro e a A2 no segundo. Já no CE as duas principais divisões chegaram a dividir o mês de abril, concentrando 15 times em atividade. Porém, depois o dado alencarino caiu para apenas 3 times em agosto – o menor dado do futebol pernambucano, na temporada, foi de 5 clubes num mês. Quanto à Bahia, apesar da maior população da região (14,8 milhões), a Boa Terra teve apenas 16 times em ação, com os últimos quatro meses tendo apenas dois em campo, Bahia e Vitória. Mesmo assim, o estudo coloca o estado no G4. Lembrando que isso se refere apenas à atividade, e não ao desempenho técnico – até porque o futebol cearense teve dois times na Série A e conseguiu manter os dois lá.

Estados com mais clubes profissionais em atividade em 2019 (de um total de 645)
1º) 90 – São Paulo
2º) 66 – Rio de Janeiro
3º) 40 – Minas Gerais e Rio Grande do Sul
5º) 33 – Goiás
6º) 31 – Paraná
7º) 28 – Santa Catarina
8º) 27 – Pará e Sergipe
10º) 26 – Ceará
11º) 23 – Paraíba
12º) 22 – Brasília
13º) 18 – Maranhão e Pernambuco
15º) 16 – Bahia e Espírito Santo
17º) 15 – Mato Grosso e Mato Grosso do Sul
19º) 13 – Alagoas, Amazonas, Rio Grande do Norte e Tocantins
23º) 11 – Piauí
24º) 10 – Acre e Rondônia
26º) 6 – Roraima
27º) 5 – Amapá

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