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Joaquim foi o 53º presidente do Santa, mas entregou uma carta de renúncia e antecipou o 54º.

Eleito com 63% dos votos, Joaquim Bezerra foi o segundo oposicionista a vencer um pleito executivo no Santa Cruz. Numa triste coincidência, os dois mandatos acabaram levando o tricolor à 4ª divisão do Campeonato Brasileiro. Em 2007/2008, Edson Nogueira amargou dois rebaixamentos seguidos, chegando ao fim do mandato sob enorme pressão. Também pressionado, agora em 2022, Joaquim optou por um caminho diferente.

O gestor acabou renunciando à presidência após 14 meses, de um total de 36 meses previstos. No site oficial do clube, Joaquim Bezerra divulgou um vídeo de 6min43s explicando as suas justificativas. Entre elas, a “ausência de paz e sossego” para trabalhar no período, com um isolamento político evidente.Na minha visão, o isolamento partiu da própria origem do grupo, através do “ProSanta”, que acabou se esfarelando numa velocidade impressionante, com a saída dos principais nomes, como o vice executivo e o presidente do Conselho Deliberativo, entre outras funções menores.

Isso foi uma consequência direta da sucessão de resultados ruins no futebol, com uma gestão incapaz no assunto, tendo 4 técnicos nos 4 primeiros meses, só para citar um exemplo. Com a debandada da cúpula, coube ao vice do órgão, Marino Abreu, assumir o processo – inclusive, ele já havia assumido o executivo interinamente em outubro, também por falta de personagens internos. Com isso, o Santa Cruz passará por um novo processo eleitoral, semelhante ao vivido pelo Sport em julho de 2021, também após renúncias. E aqui chego a uma provocação de leve ao futebol pernambucano: é coincidência?

Renúncia, a saída recorrente em PE

A temporada de 2022 é uma das piores do estado em termos de representatividade nacional, com 2 clubes na Série B e 3 na Série D. Além disso, todos os times do estado caíram na 1ª fase da Copa do Brasil. É a escala de um enfraquecimento nos últimos anos Entre 2016 e 2017, por exemplo, o Náutico registrou duas renúncias e quatro presidentes. Foi parar na Série C. Quase idêntico ao que aconteceu com o Sport entre 2020 e 2021, com cinco mandatários e outro rebaixamento à Série B – não consigo imaginar outro clube de massa superando esse número.

Agora, esse turbilhão de mudanças políticas, bem além do simples voto nas urnas, chega ao Arruda, que era o único grande sem qualquer renúncia neste século – relembre as oito saídas abaixo, num ritmo nunca visto no “futebol moderno” em PE. Pra falar a verdade, o último mandato tricolor com apenas 1 ano havia sido o de Aristófanes de Andrade, em 1985! Desde então, eleições, reeleições e trabalhos até o fim. Até mesmo Edson Nogueira, que antecipou a eleição a dois meses do fim só após a disputa de todo calendário do futebol em 2008. O questionamento do blog não é sobre as questões pessoais de Joaquim, que priorizou a sua família e o seu trabalho, e acredito que esteja certo. O ponto é a repetição do cenário nos clubes, todos endividados. No Santa, segundo o ex-presidente, mais de R$ 280 milhões.

SAF e novo presidente

Com 1,26 milhões de torcedores, segundo a última pesquisa do Datafolha, o Santa Cruz parte para um novo pleito executivo juntamente no mesmo momento em que discute a criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube, com a assembleia sobre o assunto prevista para 27 de março. Ou seja, depois da nova eleição, que ainda poderá ser indireta.

Segundo o estatuto coral, após a renúncia do presidente e do vice, o novo pleito executivo deve ser convocado em até oito dias, junto ao Conselho Deliberativo. Este, por sua vez, pode estender a definição a uma assembleia geral, com a participação dos sócios. Em tese, só. Portanto, sócios e os conselheiros – esses com direito a voto nas duas situações0 poderão definir tanto a SAF quanto o novo presidente já neste mês, tendo ainda o Campeonato Pernambucano no período, com o comando cada vez mais enxuto e com a Série D (a prioridade no ano) começando já em 17 de abril. Para tudo isso dar certo neste curto período, ainda mais a SAF, cuja proposta foi articulada justamente por uma gestão que acabou de renunciar, a corrente positiva terá que ser do tamanho do Mundão…

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A seguir, relembre as renúncias de presidentes executivos do trio de ferro no Século XXI.

2001 (Sport) – Luciano Bivar, presidente nos quatro anos anteriores, acabou renunciando no início do terceiro mandato, durante a má campanha no Brasileirão. Assumiu Fernando Pessoa.

2003 (Náutico) – Sérgio Aquino só comandou o clube no primeiro ano do mandato para 2002/2003. Num acordo político, ficou acertado que Eduardo Araújo presidiria no segundo ano.

2013 (Sport) – Luciano Bivar, novamente. Desta vez, ao pé da letra, foi “licença”, saindo novamente no primeiro ano. O vice, João Humberto Martorelli, assumiu até o fim e depois se reelegeu.

2016 (Náutico) – Eleito por uma diferença de 10 votos, Marcos Freitas deixou o clube no primeiro ano, alegando problemas de saúde. Assumiu o então vice-presidente, Ivan Brondi.

2017 (Náutico) – Após assumir o comando já por um afastamento, Ivan Brondi acabou renunciando após sofrer tentativas de agressão, em agosto, com o time mal na Série B.

2021 (Sport) – Renúncia dupla. Em junho, apenas dois meses após a eleição, o presidente Milton Bivar e o vice Carlos Frederico saíram. Com isso, foi preciso fazer uma eleição suplementar na Ilha.

2021 (Sport) – Após vencer a eleição suplementar do Sport, em julho, Leonardo Lopes pediu licença outubro. A saída acabou se estendendo até o fim do mandato, com Yuri Romão à frente.

2022 (Santa Cruz) – Após a saída de toda a cúpula, Joaquim Bezerra abdicou do mandato de três anos. Já sem vice, o processo político acaba resultando numa nova eleição no Arruda.


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