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O comunicado da Comissão Nacional de Clubes sobre a antecipação das férias de todos os atletas.

Pelo calendário original do futebol brasileiro, para esta temporada, as férias dos jogadores estavam previstas para o período entre 9 de dezembro de 2020 e 7 de janeiro de 2021. Entretanto, com a crise do Coronavírus, que paralisou todas as competições oficiais, a agenda precisou ser refeita – na verdade, ainda vem sendo articulada pela CBF. O primeiro passo foi antecipar as férias dos atletas, valendo já agora, de 1º a 20 de abril.

Ou seja, com 2/3 do período previsto na legislação – o restante pode ficar para o fim do ano ou até mesmo em abril, caso a crise se arraste por mais tempo. A decisão da comissão foi unânime, envolvendo 30 clubes representando as quatro séries (com 128 times ao todo). Curiosamente, saiu poucas horas após a divulgação da decisão dos 20 times da Série B, que foram mais diretos, incluindo até redução salarial.

Considerando o comunicado geral, o futebol deve voltar só em maio. Na prática, porém, pode demorar mais, pois há tendência de uma intertemporada – me parece algo necessário. Considerando as datas originais do Campeonato Brasileiro (abaixo), o início só aconteceria caso os outros torneios fossem cancelados – Estaduais e Copa do Nordeste, por exemplo.

Neste impasse, que na verdade envolve 874 times (!), há a prioridade, por parte dos clubes, para manter o Campeonato Brasileiro com o mesmo formato – já escrevi sobre isso, link abaixo. Ou seja, o achatamento de datas pode fazer com que a competição acabe somente em 2021. Não vejo problema nisso, pois parece óbvio que o ajuste não será finalizado em dezembro de 2020. Pode durar alguns anos, até. Então, o ajuste inicial tenta evitar o colapso econômico – que seria “adiantado” em caso de corte nas receitas do campeonato nacional.

Obs. Segundo o levantamento mais recente da CBF, existem 88 mil jogadores profissionais em atividade, dos quais apenas 11,6 mil tiveram contratos ativos no último ano. Saiba mais aqui.

Faixa salarial dos jogadores (entre os 11 mil com contratos ativos)*
55% – Até R$ 1 mil
33% – De R$ 1.001 a R$ 5.000
5% – De R$ 5.001 a R$ 10.000
4% – De R$ 10.001 e R$ 50.000
1% – De R$ 50.001 a R$ 100.000
1% – De R$ 100.001 a R$ 200.000
1% – De R$ 200.001 a R$ 500.000
0,1% – Acima de R$ 500 mil
* Contratos ativos até 15 de março de 2019

Período original dos torneios nacionais em 2020 (datas devem mudar)
Série A – 03/05 a 06/12 (38 jogos)
Série B – 02/05 a 28/11 (38 jogos)
Série C – 03/05 a 08/11 (de 18 a 24 jogos)
Série D – 03/05 a 22/11(de 2 a 26 jogos)

A seguir, a íntegra do documento da Comissão Nacional de Clubes, de 2 páginas.

A Comissão Nacional de Clubes (“CNC), órgão estatutário da CBF, de atuação independente, representando os clubes das Séries A, B, C e D do futebol brasileiro, informa que: Realizou nesta quinta-feira, dia 26, com a representação de 30 clubes de todas as séries, por videoconferência, uma nova reunião para deliberar sobre a contraproposta apresentada pelas entidades representativas dos atletas, diante da suspensão das competições por tempo indeterminado.

Levando em consideração o cenário de dificuldades que permanece no Brasil a partir das previsões das autoridades sanitárias, bem como a Medida Provisória editada pelo Governo Federal (Art. 6, 9, 11 e 12), os clubes não aceitaram a propostas feitas pelos atletas e de forma unânime resolveram e decidiram o seguinte:

1. Concessão de Férias Coletivas de 20 dias a todos os atletas, no período compreendido entre os dias 1 de abril e 20 de abril de 2020, em consonância com a Medida Provisória 927, de modo que os clubes – e somente eles – arcarão integralmente com a manutenção das atividades futebolísticas durante tal período;

2. Garantia aos atletas do período de 10 dias restantes de férias no final do ano de 2020 ou no início de 2021, adequadas ao calendário que se desenhará após o retorno da paralisação;

3. Negociar individualmente com seus atletas e demais funcionários do departamento de futebol no que tange a outras medidas que possam ser adotadas no período de paralisação;

4. Seguir promovendo reuniões e debates ao longo dos próximos 20 dias para que possam implementar novas medidas em caráter de emergência caso seja necessário;

5. Aguardar novas medidas dos Governos Federal e Estaduais diante do estado de calamidade pública, para avaliar possíveis reduções em remunerações que possam ser estabelecidas;

A CNC esclarece ainda, que já enviou este comunicado à FENAPAF para que repasse aos sindicatos e aos atletas.

A CNC segue acreditando que o acordo coletivo a nível nacional seria o caminho ideal para a solução da grave situação econômica, mas infelizmente não foi possível, razão pela qual, os clubes optaram por manter sua posição de conceder férias a todos, preservando o calendário do futebol brasileiro, os regulamentos e consequentemente as receitas oriundas das competições, que fazem parte da base de remuneração de todos os profissionais do futebol.

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