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O estudo foi realizado em 16 países, apenas com jogadores profissionais. Foto: Fifpro/Twitter.

O sindicato mundial de jogadores de futebol (Fifpro) divulgou um estudo sobre a saúde mental dos atletas nesta paralisação do futebol, uma consequência da pandemia do Coronavírus. Os dados preliminares apontam um quadro preocupante, com 13% dos homens e 22% das mulheres relatando sintomas consistentes ao diagnóstico de depressão. Além disso, 16% dos homens e 18% das mulheres citaram sintomas presentes no diagnóstico de ansiedade generalizada.

A pesquisa feita em parceria com uma universidade de Amsterdã, na Holanda, foi realizada entre 22/03 e 14/04, envolvendo 1.602 atletas espalhados em países que adotaram o distanciamento social, com os jogos suspensos. Ao todo, foram 1.134 homens, na faixa de 26 anos, e 468 mulheres, com idade média de 23 anos. Como comparativo, a pesquisa anterior, feita entre dezembro e janeiro, com 307 atletas de idade semelhante. Na ocasião, o resultado apontou 6% dos jogadores e 11% das jogadores com sintomas de depressão.

Naquela ocasião, a OMS ainda não havia decretado estado de pandemia – o que só ocorreu em 11 de março, já na época da segunda pesquisa. Neste tópico, então, o salto em pontos percentuais foi de 7 para os homens e 11 para as mulheres. A pesquisa aconteceu em alguns países com quadros acentuados, como Estados Unidos, França e Inglaterra. Embora não tenha passado pelo Brasil, vale como um indicativo de uma realidade dura no meio local.

Aqui existem 88 mil jogadores profissionais, sendo que apenas 11 mil conseguiram ter um ano inteiro de contrato, segundo o último balanço da CBF, de 2018. A maioria atua apenas nos quatro primeiros meses, durante os Estaduais, um período sequer cumprido em 2020. E ainda é preciso destacar que 55% dos atletas brasileiros ganham até R$ 1 mil. Portanto, a dificuldade é imensa. Em muitos casos, atraso em meio às férias antecipadas. Em outros, corte nos salários, como nos times da Série B. Em outros, só uma interrogação. Pode até ser um quadro presente em outras áreas da sociedade, mas no futebol, especificamente, à parte da elite, a parcela considerável não tem plano B sem o esporte. E o cuidado da saúde mental é essencial

Os países com jogadores que responderam o questionário da Fifpro
África do Sul, Austrália, Bélgica, Botsuana, Dinamarca, Escócia, Estados Unidos, Finlândia, França, Holanda, Inglaterra, Irlanda, Malta, Noruega, Nova Zelândia e Suíça.

Declaração de Vincent Gouttebarge, o chefe médico do Fifpro
“Esses números mostram que houve um aumento acentuado nos jogadores que sofrem de sintomas de ansiedade e depressão desde que o Coronavírus paralisou o futebol profissional, e eu temo que esse também seja o caso de toda a sociedade que vem enfrentando uma emergência sem precedentes por causa do Covid 19. No futebol, de repente, jovens homens e mulheres enfrentam isolamento social, a suspensão da sua vida profissional e dúvidas sobre o futuro. Alguns podem não estar bem preparados para enfrentar essas mudanças e nós os incentivamos a procurar ajuda de uma pessoa em quem confiam ou de um profissional de saúde mental.”

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