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 Liga Forte Futebol do Brasil

Os clubes foram representados na fundação do Futebol Forte, na sede da CBF, por diretores e presidentes, como Marcelo Paz (Fortaleza) e Diógenes Braga (Náutico). Foto: CSA/divulgação.

Com 25 clubes, uma nova associação foi criada no país, a “Liga Forte Futebol do Brasil”, com times das Séries A e B que não aderiram ao modelo da Libra, a “Liga Brasileira de Futebol”, fundada com os 6 clubes mais populares e que hoje já tem 13 adeptos. Ambas surgiram neste ano, a primeira liga em 3 de maio e a segunda em 28 de junho. As duas com a intenção de organizar o modelo econômico do futebol nacional.

Antes do novo passo, vale uma recapitulada rápida. Na semana seguinte à criação da Libra, 23 clubes apresentaram uma carta-proposta de adesão, demandando ajustes na divisão das receitas de tevê. No caso, queriam a distribuição com 50% de forma igualitária, 25% por performance (a colocação final no campeonato) e 25% por engajamento e audiência nas transmissões, em vez de 40%/30%/30%, como foi determinado no primeiro grupo. Sem resposta positiva, esses clubes, incluindo sete nordestinos na lista, acabaram decidindo formalizar um novo bloco – veja as composições das ligas no fim do post.

O peso das ligas na grade da TV

A criação ocorreu em menos dois meses após aquela carta, sendo acelerada pela chegada de duas novidades de peso neste cenário, o Atlético Mineiro, atual campeão da Série A e da Copa do Brasil, e o Internacional. Com isso, mais força na negociação pelos direitos de transmissão da competição a partir de 2025. Até 2024, lembrando, todas as plataformas já estão negociadas, com R$ 1,1 bilhão por ano somente com a tevê aberta, através da Rede Globo.

Essa força na montagem da “grade” inclusive é reforçada na breve nota oficial do Futebol Forte: “Reunidos no Rio de Janeiro, representantes de 25 clubes acabam de assinar a Ata de constituição da Liga Forte Futebol do Brasil, inclusive com a formalização de Estatuto. A Liga já nasce com 62,5% dos clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro”. Obviamente, a composição de participantes do Brasileirão em 2025 deverá ser diferente, só que os acordos são firmados antes, bem antes de a bola rolar. No caso, “hoje”.

Metrópoles presentes no Futebol Forte

Além de representantes de massa em mercados importantes, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Fortaleza e Recife, o volume de clubes da nova liga se vale da ainda recente “Lei do Mandante”, na qual basta o acerto com o clube mandante para viabilizar a transmissão da partida. Ou seja, Ceará x Flamengo, por exemplo, ficaria com o Futebol Forte, enquanto Flamengo x Ceará ficaria com a Libra. Das principais praças, justamente a maior, São Paulo, ficou só numa liga, a Libra, que angariou os nove clubes paulistas. Indo além desta questão comercial, fica o alerta, mais uma vez, sobre a questão esportiva.

Nunca uma movimentação para a elaboração de uma liga nacional de fato foi tão efetiva no país, por parte dos clubes e dos investidores, mas a estrutura de competição não pode ser violada de jeito algum. Num cenário onde cada um costuma achar que tem mais razão que o outro, apenas uma entidade ganharia com isso. No caso, a CBF, que encontraria motivos para seguir à frente do processo. A independência dos clubes parte do respeito aos direitos esportivos de todos os nomes envolvidos no Campeonato Brasileiro, incluindo aqueles que não ainda aderiram às ligas, casos de Bahia e Grêmio, e aqueles presentes em divisões inferiores, mas que naturalmente podem ascender às Séries A e B em breve.

Com exemplos, o passado ensina sobre cisões

Francamente, este tipo de preocupação no Brasil nem deveria existir, pois rupturas do tipo, sem respeito ao direito adquirido, já geraram dois campeonatos nacionais polêmicos. Em 1987 e 2000, ambos “organizados” pelo extinto Clube dos 13, que existiu por 24 anos chegando a apenas 20 filiados. A primeira competição só foi finalizada, de vez, na justiça comum, e a outra foi realizado com mais de 100 clubes, rasgando acessos e descensos. Nos anos seguintes àquelas disputas, em 1988 e 2001, a CBF entrou em ação ajustando tudo e se perpetuando por bastante tempo. Portanto, caso não haja unidade nos próximos anos, que as duas ligas paralelas busquem uma atuação concomitante num mesmo campeonato. Creio que já seja algo presente no debate. Alerta à parte, eu não imagino outro Frankenstein. Não é possível…

A nota do CSA, o primeiro clube a comentar oficialmente a reunião:
“Aconteceu hoje, no Rio de Janeiro, o encontro dos 25 dirigentes dos clubes das Séries A e B que concretizou a criação da Liga Forte Futebol do Brasil. Os próximos passos serão firmar o plano de negócios e valuation, governança, fair play financeiro e plano de exploração de ativos comerciais. O CSA esteve representado pelo Superintendente Administrativo, Gilson Romeiro.”

Eis a atual divisão de ligas entre os 40 clubes das Séries A e B desta temporada…

13 clubes na Libra (7 na A e 6 na B)
Botafogo (RJ), Bragantino (SP), Corinthians (SP), Cruzeiro (MG), Flamengo (RJ), Guarani (SP), Ituano (SP), Novorizontino (SP), Palmeiras (SP), Ponte Preta (SP), Santos (SP), São Paulo (SP) e Vasco (RJ)

25 clubes no Futebol Forte (13 na A e 12 na B)
Athletico (PR), Atlético (MG), América (MG), Atlético (GO), Avaí (SC), Brusque (SC), Chapecoense (SC), Coritiba (PR), Ceará (CE), Criciúma (SC), CRB (AL), CSA (AL), Cuiabá (MT), Fluminense (RJ), Fortaleza (CE), Goiás (GO), Internacional (RS), Juventude (RS), Londrina (PR), Náutico (PE), Operário (PR), Sampaio Corrêa (MA), Sport (PE), Vila Nova (GO) e Tombense (MG)

2 clubes indecisos (2 na B)
Bahia (BA) e Grêmio (RS)

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