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O gráfico com a evolução das pendências acumuladas pelo trio de ferro do Recife nesta década.

Pela primeira vez, desde a implantação da atual moeda brasileira, os três grandes de Pernambuco apresentam passivos acima de uma centena de milhões de reais, simultaneamente. Na verdade, o ponto de corte é bem maior, em R$ 146 milhões, com o Náutico tendo o “menor” dado. Já preocupante, naturalmente. Ao todo, os clubes acumulam mais de meio bilhão. De forma precisa, R$ 557.881.257. E a soma de todas as receitas em 2019 não chega nem a R$ 100 milhões. Ou seja, a relação sobre a capacidade de pagamento, desconsiderando a utilização de bens, é indigesta.

Essa análise considera a soma dos passivos circulantes, com prazo de até de 12 meses, e não circulantes, com prazos mais longos. Trata-se de uma junção de dívidas, tributos em aberto, parcelamentos, contas a pagar (contratos longos com jogadores, por exemplo), receitas a apropriar etc. Pela composição bem diversificada, é “comum” o esquecimento dos clubes, podemos assim dizer, de inúmeras pendências, várias delas milionárias. Porém, o aperto da Receita Federal para a liberação da Certidão Negativa de Débito (CND) forçou muitos clubes a se debruçarem nas próprias entranhas financeiras, resultando no reconhecimento oficial de dívidas antigas. Os três clubes da capital passaram por este processo.

Enquanto o processo do Sport durou quatro anos, de 2013 a 2017, o do Náutico durou cinco, de 2013 a 2018. No leão, R$ 160 milhões a mais. No timbu, R$ 196 milhões a mais. Agora, pelo balanço de 2019, foi a vez do Santa, que elevou o seu passivo em R$ 168 milhões, de R$ 53 mi para R$ 222 milhões, com aumento de 314%. Para isso, o tricolor criou uma comissão só para essa função, com o auxílio de um escritório de contabilidade. Foram dois anos até a divulgação do dado – e ainda pode aumentar para até R$ 250 mi após a última etapa da análise.

O passivo do trio só não explodiu de vez porque o alvirrubro conseguiu reduzir em R$ 138 milhões no último ano. Não, o Náutico não “pagou” esse valor todo – nem teria como, pois a receita (ainda não divulgada) está na casa de R$ 20 milhões. Ocorre que o clube avançou no 2º estágio do reconhecimento: os acordos. Firmou dezenas, com a redução oficializada via pagamento regular e previsão de multa. Antes, o clube chegou a ter 986 (!) ações trabalhistas na justiça. No Sport, esse passo foi atrasado porque o clube deixou de pagar os acordos tributários firmados – a auditoria em 2019 confirmou 14 parcelamentos em aberto desde o recebimento da CND. Assim, de 2017 para 2019, os acordos tributários de curto prazo passaram de R$ 10 mi para R$ 56 mi. É uma bronca enorme, que o clube tenta ajustar para retomar os parcelamentos – ou seja, transformar as obrigações de 12 meses em até 20 anos.

Sobre a situação atual, que tenha sido o teto à vera, sem dívidas antigas ainda esquecidas…

Curiosidade – Considerando a presença no Campeonato Brasileiro nesta década, de 2011 a 2019, foram 9 participações na Série A (Sport 6x, Náutico 2x e Santa 1x), 11 na Série B (Náutico 5x, Santa 3x e Sport 3x), 6 na Série C (Santa 4x e Náutico 2x) e 1 na Série D (Santa 1x). Ou seja, 1/3 das participações ocorreram na elite, com receita de tevê. Mesmo assim, descontrole no passivo.

Confira as análises dos balanços de 2019
Balanço do Náutico reduz o passivo em 48%, agora em R$ 146 milhões

Balanço do Santa Cruz registra superávit após 5 anos e passivo recalculado

Balanço do Sport aponta a menor receita na década e 7º déficit seguido

O passivo do trio de ferro do Recife
2011 – R$ 177,3 milhões
2012 – R$ 170,7 milhões (-3,7%; -6,6 mi)
2013 – R$ 181,8 milhões (+6,5%; +11,1 mi)
2014 – R$ 283,3 milhões (+55,8%; +101,5 mi)
2015 – R$ 348,0 milhões (+22,8%; +64,7 mi)
2016 – R$ 343,2 milhões (-1,3%; -4,8 mi)
2017 – R$ 415,3 milhões (+21,0%; +72,1 mi)
2018 – R$ 531,4 milhões (+27,9%; +116,1 mi)
2019 – R$ 557,8 milhões (+4,9%; +26,4 mi)

A seguir, o “ranking” local sobre os maiores passivos, com o percentual de cada um dentro do bolo do trio no respectivo ano. Em 9 anos, 6 lideranças do Náutico, 2 do Santa (o atual “líder”) e 1 do Sport. Hoje, todos com 9 dígitos. O último ano com os 3 tendo no máximo 8 dígitos foi em 2013. Como curiosidade, a correção do valor de 2011 daria R$ 278,5 mi, a metade do montante em 2019.

Passivo em 2011 (R$ 177,3 milhões)
1º) R$ 69,7 mi (39,3%) – Santa Cruz
2º) R$ 62,4 mi (35,1%) – Náutico
3º) R$ 45,2 mi (25,4%) – Sport

Passivo em 2012 (R$ 170,7 milhões)
1º) R$ 71,9 mi (42,1%) – Náutico
2º) R$ 71,5 mi (41,8%) – Santa Cruz
3º) R$ 27,3 mi (15,9%) – Sport

Passivo em 2013 (R$ 181,8 milhões)
1º) R$ 87,8 mi (48,2%) – Náutico
2º) R$ 71,3 mi (39,2%) – Santa Cruz
3º) R$ 22,7 mi (12,4%) – Sport

Passivo em 2014 (R$ 283,3 milhões)
1º) R$ 137,3 mi (48,4%) – Náutico
2º) R$ 73,3 mi (25,8%) – Sport
3º) R$ 72,7 mi (25,6%) – Santa Cruz

Passivo em 2015 (R$ 348,0 milhões)
1º) R$ 149,2 mi (42,8%) – Náutico
2º) R$ 121,1 mi (34,7%) – Sport
3º) R$ 77,7 mi (22,3%) – Santa Cruz

Passivo em 2016 (R$ 343,2 milhões)
1º) R$ 155,6 mi (45,3%) – Náutico
2º) R$ 125,0 mi (36,4%) – Sport
3º) R$ 62,6 mi (18,2%) – Santa Cruz

Passivo em 2017 (R$ 415,3 milhões)
1º) R$ 183,5 mi (44,1%) – Sport
2º) R$ 165,9 mi (39,9%) – Náutico
3º) R$ 65,9 mi (15,8%) – Santa Cruz

Passivo em 2018 (R$ 531,4 milhões)
1º) R$ 284,5 mi (53,5%) – Náutico
2º) R$ 193,4 mi (36,3%) – Sport
3º) R$ 53,5 mi (10,0%) – Santa Cruz

Passivo em 2019 (R$ 557,8 milhões)
1º) R$ 222,0 mi (39,7%) – Santa Cruz
2º) R$ 189,5 mi (33,9%) – Sport
3º) R$ 146,3 mi (26,2%) – Náutico


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