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O primeiro aporte da CBF correspondeu a 10% do superávit registrado pela entidade em 2019.

A direção da CBF anunciou uma ajuda de R$ 19,12 milhões para 140 clubes, de divisões inferiores e do futebol feminino, e às 27 federações durante a parada do futebol devido à crise do Coronavírus. Levando em conta a capacidade econômica da entidade, esse valor é bem modesto, sobretudo tomando por base o último superávit, de R$ 190 milhões – abordei este tema aqui.

Antes desta verba, a confederação havia determinado a isenção de taxas de registro e transferência de atletas, por tempo indeterminado. Por mês, isso tende a gerar uma economia de R$ 1,3 milhão. Então, sem considerar adiantamentos de cotas aos clubes da Série B (afinal, não se trata, de fato, de uma verba própria da entidade), a ajuda total neste primeiro mês é de R$ 20,42 mi. Neste momento, apenas a isenção continuaria válida no segundo mês. Sem aporte extra.

Neste primeiro repasse da CBF, o futebol nordestino ficou com 29,4%, ou R$ 5,64 milhões – a título de comparação, o valor é inferior à cota de TV paga a um clube do interior no Paulistão de 2020 (R$ 6 mi). No bolo regional estão 41 clubes, sendo 28 times masculinos, nas Séries C e D desta temporada, e 13 femininos, nas duas divisões nacionais, além das nove federações.

Me chamou a atenção a justificativa para os valores individuais do campeonato masculino, com R$ 200 mil e R$ 120 mil, respectivamente. Segundo a CBF, “cada clube que disputa as séries C e D do Campeonato Brasileiro vai receber um auxílio financeiro direto no valor equivalente a duas vezes a folha salarial média dos atletas de cada uma dessas divisões, segundo dados apurados no sistema de registro de contratos da CBF”. Ou seja, a média salarial da Série C seria de R$ 100 mil, enquanto a da Série D seria de R$ 60 mil. Só?! A soma de todos os clubes do NE, incluindo o G7 (em situações bem distintas), resulta numa ajuda de R$ 4,56 mi, com média de R$ 111.219. Caso a crise se alastre, a CBF terá que se mexer mais…

Abaixo, as verbas repassadas pela CBF aos nordestinos, confirmadas apenas na 3ª semana de crise.

Série C (6 times do NE)
Valor individual: R$ 200 mil
Valor total no NE: R$ 1.200.000
Percentual sobre a receita da região: 21,2%
Clubes contemplados: Botafogo (PB), Ferroviário (CE), Imperatriz (MA), Jacuipense (BA), Santa Cruz (PE) e Treze (PB)

Série D (22 times do NE)
Valor individual: R$ 120 mil
Valor total no NE: R$ 2.640.000
Percentual sobre a receita da região: 46,8%
Clubes contemplados: ABC (RN), Afogados (PE), Altos (PI), América (RN), Atlético de Alagoinhas (BA), Atlético de Cajazeiras (PB), Bahia de Feira (BA), Campinense (PB), Central (PE), Coruripe (AL), Floresta (CE), Frei Paulistano (SE), Globo (RN), Guarany de Sobral (CE), Itabaiana (SE), Jacyoabá (AL), Juventude (MA), Moto Club (MA), Potiguar (RN), River (PI), Salgueiro (PE) e Vitória da Conquista (BA)

Brasileiro Feminino A1 (1 time do NE)
Valor individual: R$ 120 mil
Valor total no NE: R$ 120 mil
Percentual sobre a receita da região: 2,1%
Clube contemplado: Vitória (BA)

Brasileiro Feminino A2 (12 times do NE)
Valor individual: R$ 50 mil
Valor total no NE: R$ 600.000
Percentual sobre a receita da região: 10,6%
Clubes contemplados: Auto Esporte (PB), Bahia (BA), Ceará (CE), Cruzeiro (RN), Fortaleza (CE), Juventude Timonense (MA), Náutico (PE), Santos Dumont (SE), São Francisco (BA), Sport (PE), Tiradentes (PI) e União (AL)

Federações (9 entidades no NE)
Valor individual: R$ 120 mil
Valor total no NE: R$ 1.080.000
Percentual sobre a receita da região: 19,1%
Estados contemplados: Alagoas (FAF), Bahia (FBF), Ceará (FCF), Maranhão (FMF), Paraíba (FPF), Pernambuco (FPF), Piauí (FFP), Rio Grande do Norte (FNF) e Sergipe (FSF)

A divisão da ajuda da CBF por estado (clubes + federação)*
R$ 900 mil (15,9%) – Bahia
R$ 810 mil (14,3%) – Paraíba
R$ 780 mil (13,8%) – Pernambuco
R$ 660 mil (11,7%) – Ceará
R$ 650 mil (11,5%) – Rio Grande do Norte
R$ 610 mil (10,8%) – Maranhão
R$ 410 mil (7,2%) – Alagoas, Piauí e Sergipe
* E o percentual sobre o total, de R$ 5,64 milhões

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