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A evolução do patrimônio e da receita da FPF na última década. No patrimônio, salto de R$ 16,7 mi.

Pelo 8º ano consecutivo, o balanço financeiro da Federação Pernambucana de Futebol apresentou um saldo positivo. O relatório auditado em 26 de abril e divulgado três dias após aponta um superávit de R$ 2,23 milhões, o segundo maior na década, mesmo num ano de pandemia. Em dez anos, nove com saldo positivo.

Após uma queda atípica na receita em 2018, mesmo fechando no azul, a federação presidida por Evandro Carvalho voltou a registrar uma evolução na receita operacional nos últimos dois anos, com um acréscimo de R$ 146 mil de 2019 para 2020, totalizando R$ 6,88 milhões – na contramão do futebol geral. Daí, faz total diferença o segmento de “receitas técnicas de futebol”, com R$ 5,39 mi, ou 78,2% do faturamento.

Na última temporada houve um aumento significativo neste ponto, a partir das presenças de Sport (Série A) e Náutico (Série B) em divisões nacionais superiores, mesmo com 38 jogos de portões fechados no Recife – nos quais a FPF teria 5% da bilheteria. Em 2019, com o Sport na B e o Náutico na C, o apurado em “receitas técnicas de futebol” foi de R$ 4,57 mi, ou 67,9% do total. Como consequência disso, o patrimônio líquido da entidade também subiu, chegando ao maior volume da história, superando a barreira de R$ 20 milhões. – era de R$ 3,7 mi em 2011

Sem surpresa, com seguidos resultados positivos, ao contrário dos filiados, quase sempre no vermelho, a federação tornou-se uma enorme credora dos clubes. A entidade já tem um crédito acumulado junto aos filiados superior a R$ 11 milhões. De forma precisa, a cifra atual é de R$ 11.609.839, com um aumento de R$ 1.438.328 em um ano. O documento não detalha os devedores, mas sabe-se que Sport, Santa Cruz e Náutico já tomaram “empréstimos”.

Resultado do exercício da FPF, com superávit ou déficit* (R$)
2011: +898.500
2012: -89.573
2013: +1.834.817
2014: +1.306.002
2015: +1.478.674
2016: +2.302.010
2017: +279.246
2018: +362.906
2019: +2.386.235
2020: +2.235.891
* O saldo da subtração da receita líquida pela despesa anual

Voltando ao superávit em 2020, o resultado ocorreu mesmo com o aumento das despesas! As “despesas técnicas do futebol” subiram de R$ 2,97 mi para R$ 3,08 mi, com a federação bancando o trio de arbitragem nos torneios locais durante a crise – sendo este um custo regular dos clubes. O gasto com o administrativo também subiu, passando de R$ 1,20 mi para R$ 1,39 mi – este dado, sim, é bem surpreendente. Vale a ressalva que, devido à pandemia da Covid-19, a FPF também aliviou sobre a “taxa de anuidade” (em 2019 os clubes da Série A2 pagaram R$ 5 mil, cada). No geral, a despesa da FPF subiu de R$ 4,3 mi para R$ 4,6 milhões.

Apesar de ter sete páginas, o relatório divulgado é discreto, com cinco páginas não tendo sequer metade do espaço utilizado. Não é possível ver, de forma destrinchada, o quanto as outras 75 taxas cobradas pela entidade representaram na receita, até mesmo para ter uma base sobre o “cartório” da sede envidraçada na Boa Vista. Em tempo: a FPF caiu para o 3º lugar no NE no Ranking de Federações da CBF após a temporada 2020. À frente, as federações do Ceará (1º) e da Bahia (2º), que tiveram R$ 2,2 mi e R$ 3,9 mi de receita. Faz sentido?

Receita operacional anual da FPF
2011 – R$ 3.142.280
2012 – R$ 4.834.087 (+1,69 mi; +53,8%)
2013 – R$ 6.282.441 (+1,44 mi; +29,9%)
2014 – R$ 6.000.765 (-0,28 mi; -4,4%)
2015 – R$ 6.436.876 (+0,43 mi; +7,2%)
2016 – R$ 8.503.245 (+2,06 mi; +32,1%)
2017 – R$ 6.313.330 (-2,18 mi; -25,7%)
2018 – R$ 5.108.733 (-1,20 mi; -19,0%)
2019 – R$ 6.738.881 (+1,63 mi; +31,9%)
2020 – R$ 6.885.026 (+0,14 mi; +2,1%)

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