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O encontro dos mandatários de Fortaleza e Sport lá na capital ceaerense. Foto: Sport/divulgação.

Em 30 de junho de 2017, de forma surpreendente, o Sport formalizou a desfiliação da Liga do Nordeste, num documento assinado também pelo Náutico. Na ocasião, a saída foi articulada pelo presidente rubro-negro, Arnaldo Barros, com a direção alvirrubra recuando dias depois. Embora tenha ficado isolado no movimento, o leão manteve a posição, se ausentando da Copa do Nordeste em 2018 e 2019, mesmo sendo um dos nomes mais pesados do torneio. O objetivo era conseguir mais dinheiro e poder para a competição (que poderia ser mesmo até um novo torneio), mas a escolha nunca fez qualquer sentido pelo caminho adotado – dividindo, em vez de somar. O que ficou de fato foi um prejuízo técnico, financeiro, de imagem e político considerável.

Com a volta à liga, no papel e na copa, o Sport também busca retomar os principais contatos, num meio cuja política é essencial para o desenvolvimento da própria associação de clubes. Em 6 de janeiro, durante o anúncio de um patrocínio triplo para os grandes clubes do Recife, o atual presidente executivo leonino, Yuri Romão, revelou a intenção de se encontrar com os presidentes de Fortaleza e Ceará, que somam R$ 300 milhões de orçamento em 2022.

E a reunião efetivamente aconteceu, aproveitando a viagem para o jogo Sport x Ceará, pela 5ª rodada da Lampions. O dirigente se encontrou com os mandatários dos dois representantes da região na 1ª divisão desta temporada, Marcelo Paz (tricolor) e Robinson de Castro (vozão). A fala dele em janeiro, sendo necessária agora a sua lembrança, mostra a necessidade do ato, com o Sport deixando bem de lado o “protagonismo absoluto”, na minha visão.

Yuri Romão em 06/01 (projetando a reunião com os cearenses)
“Entendo que, para que a gente possa voltar a ter a representatividade do passado, a força, se faz necessário uma mudança de postura. Hoje, temos o exemplo dos irmãos cearenses. E não tem porque, não copiar, mas nos basear no que eles estão fazendo no futebol. O futebol se profissionalizou. Então mantive contato com os dois presidentes, estou tentando agendar para ir a Fortaleza conhecer um pouco do que eles estão fazendo para a gente replicar nos nossos clubes”.

Yuri Romão em 15/02 (após a reunião com os cearenses)
“Desde mudanças nos regulamentos das competições nacionais, criação da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) e passando até mesmo pela participação de uma futura liga no futebol brasileiro, os clubes da região precisam entrar em bloco para que nessas discussões possamos ter uma voz mais forte. Novos encontros estão sendo programados par trazer mais clubes e aumentar a representatividade nestes debates”.

Embora essa conversa tenha acontecido, presencialmente, com os dois dirigentes cearenses, Yuri também já havia revelado uma outra conversa, online, com Guilherme Bellintani, o mandatário do Bahia. Sobre o próximo encontro, maior, a reunião poderá ser no Recife. Essa ideia de formar um “bloco” visa uma participação efetiva na Liga Nacional de Clubes, anunciada em 15 de junho de 2021, com a participação de 20 clubes – os 20 presentes na última edição da Série A, incluindo este quarteto nordestino.

Na prática, a liga brasileira terá mais clubes e, consequentemente, mais times da região, incluindo um convite imediato à Série B – na ocasião do anúncio, estavam na segundona os seguintes nordestinos: Confiança, CRB, CSA, Náutico, Sampaio Corrêa e Vitória. Lembrando que todos esses times já integram, hoje, a Associação dos Clubes de Futebol do Nordeste (ACFN), a “Liga do Nordeste”, criada em 30 de outubro de 2000 – a primeira do país, diga-se. O “bloco” na liga nacional não invalida as decisões da liga regional. Pelo contrário, poderá mostrar a sua força, a partir de uma competição com mais de R$ 30 milhões de receita garantida por ano e com continuidade próxima a partir de 2023 (falta o anúncio oficial).

No caso do Sport, o ponto de partida do texto, ficar de fora dessa discussão seria algo descabido. Como foi a decisão tomada há quase cinco anos. Além disso, o reconhecimento de quem está fazendo uma gestão esportiva e economicamente mais responsável (e com mais resultados no presente) pode servir, sim, como modelo, sem qualquer constrangimento na afirmação. É um indicativo de consciência, pois após alguns passos pra trás, mesmo quando a direção era outra, enfim veio um passo pra frente. Tradição à parte, o caminho segue longo.

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