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As joias da base podem representar o desafogo do leão neste ano. Foto: Anderson Stevens/Sport.

O Sport terá uma queda substancial na receita de transmissão na tevê em 2022, com o rebaixamento da Série A para a Série B. Em vez de um aporte superior a R$ 40 milhões, como vinha ocorrendo na elite, o clube ficará com a cota fixa de R$ 8 milhões. De cara, então, uma diferença de R$ 32 mi. Porém, a previsão orçamentária do clube para o próximo ano apresenta uma redução bruta, somando todas as receitas, de R$ 20,5 milhões. Caiu de R$ 79,5 mi para R$ 59,0 mi.

A leitura óbvia deste dado absoluto, apurado por Alessandro Matias, do canal “Eu Pratico Sport”, é de um aumento em outras frentes à parte da tevê, como bilheteria, quase inexistente em 2021 e agora com 50% da capacidade liberada no estádio (provavelmente com mando na Arena, pois a ilha precisa de reparos), e sobretudo com a negociação de atletas.

Com o centroavante Mikael (22 anos) e o meia Gustavo (19 anos) valorizados apesar da queda e com contratos amarrados em relação aos direitos econômicos, o clube presidido pro Yuri Romão tende a fazer uma negociação milionária – essencial para a saúde financeira do clube. Numa apuração do blog, o montante de R$ 59 milhões só será alcançado caso o Sport realize uma venda – sem precisar qual jogador envolvido. Caso o clube consiga efetuar duas transações, a receita já superaria o orçamento. Outro ponto importante na composição da nova receita é a recuperação do quadro de sócios, hoje com 22,8 mil adimplentes. Antes da pandemia, contabilizando titulares e dependentes, este número chegou a ser de 41 mil.

O novo orçamento rubro-negro é o menor entre os dados que consegui levantar sobre o clube, com os últimos seis anos. Neste período, a outra participação na segunda divisão, que equipara melhor esta análise, foi em 2019, já sem a “cláusula paraquedas”, que bancava uma cota de 1ª divisão mesmo jogando a 2ª divisão – no Nordeste, apenas Sport, Bahia e Vitória tiveram este benefício. Naquele ano, o clube lançou um número de R$ 60 milhões, mas com ressalva, pois ainda não havia certeza de descenso e o dado não foi reajustado após a queda.

Desta vez, o faturamento do Sport – de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2022 – foi calculado já com o cenário confirmado no próximo Campeonato Brasileiro. Com o valor proposto, o Sport terá uma folha com o futebol entre R$ 2,0 mi e R$ 2,5 mi, já em janeiro – bem acima do praticado em 2019, que começou em R$ 800 mil e evoluiu para R$ 1,2 mi em maio. A diferença, agora, além da maior capacidade – não haverá desconto da Globo, por exemplo – se deve à nova regra de inscrição de atletas, com apenas duas “janelas” nacionais, uma de janeiro a abril e outra entre julho e agosto. Ou seja, não dá pra montar o time apenas no início do BR.

Este orçamento é apenas uma sinalização do que o clube fará, valendo, naturalmente, a receita apurada de fato. Contudo, nos últimos três anos, entre os balanços divulgados pelo Sport, a “receita realizada” acabou abaixo do previsto. Mesmo considerando a dificuldade financeira do leão, que ainda precisa administrar um passivo enorme, este não é o pior cenário possível sobre a receita total, até porque o clube prevê um superávit mínimo – um saldo positivo na subtração das receitas pelas desoesas. E esta visão é complementada na comparação com os futuros adversários na pesada Série B, com  exceção de Grêmio, Cruzeiro, Vasco e Bahia; o tricolor gaúcho já confirmou um orçamento de R$ 294,5 milhões.

Previsão de orçamento do Sport (e o aumento sobre o ano anterior)
2017 (Série A) – R$ 76.000.000
2018 (Série A) – R$ 108.382.297 (+42,6)
2019 (Série B) – R$ 60.000.000 (-44,6%)
2020 (Série A) – R$ 77.500.000 (+29,1%)
2021 (Série A) – R$ 79.525.012 (+2,6%)
2022 (Série B) – R$ 59.000.000 (-25,8%)

A receita total realizada pelo clube (e o aumento sobre o ano anterior)
2017 (Série A) – R$ 105.471.746 (-18,6%)
2018 (Série A) – R$ 104.098.716 (-1,3%)
2019 (Série B) – R$ 39.208.327 (-62,3%;)
2020 (Série A) – R$ 54.527.382 (+39,0%)
2021 (Série A) – Em andamento (divulgação até 30/04/2022)

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